A Mercedes-Benz confirmou oficialmente a chegada da Sprinter equipada com câmbio automático ao mercado brasileiro, um movimento estratégico que reforça o posicionamento da marca no segmento de vans e amplia seu apelo junto a públicos cada vez mais exigentes. A novidade começa a chegar às concessionárias em março e estará disponível em toda a linha, do Chassi às versões mais completas para transporte de passageiros.
Para gestores de concessionárias, vendedores e profissionais de marketing automotivo, o lançamento representa mais do que uma atualização técnica: trata-se de uma resposta direta às transformações do mercado de veículos comerciais, marcado por maior profissionalização das frotas, crescimento do e-commerce e busca por conforto operacional.
Câmbio automático de nove marchas: eficiência e conforto
O principal destaque da nova Sprinter é a adoção da transmissão automática 9G-Tronic, uma caixa de nove marchas desenvolvida na Alemanha e montada na Argentina, país responsável pela produção das unidades destinadas ao Brasil. Essa transmissão já é amplamente utilizada em modelos de passeio e comerciais leves da marca em outros mercados, reconhecida pela suavidade nas trocas de marcha e pela eficiência energética.
Na prática, o câmbio automático contribui para uma condução mais confortável, especialmente em uso urbano intenso, reduzindo a fadiga do motorista e favorecendo a produtividade. Além disso, a maior quantidade de marchas permite melhor aproveitamento do torque do motor, com ganhos em consumo de combustível e menor desgaste de componentes mecânicos — fatores relevantes para grandes frotistas e operadores logísticos.
Preços e posicionamento da linha
Os preços da Sprinter automática partem de R$ 274.300 na versão Chassi e podem chegar à casa dos R$ 500 mil na configuração mais completa para passageiros. Segundo a Mercedes-Benz, a média de aumento em relação às versões com câmbio manual será de aproximadamente 5%, um percentual considerado competitivo diante do ganho em conforto, dirigibilidade e valor percebido.
Do ponto de vista comercial, esse posicionamento cria uma oportunidade clara para o trabalho consultivo nas concessionárias. A diferença de preço pode ser facilmente justificada quando associada à redução de custos operacionais, maior aceitação por motoristas e melhor valor de revenda no médio e longo prazo.
Início das vendas e expectativa de mercado
As primeiras unidades já foram enviadas ao Brasil e as vendas devem começar na primeira quinzena de março. A Mercedes-Benz projeta que as versões automáticas representem entre 30% e 35% do mix de vendas da Sprinter no país. Ainda assim, a marca reforça que está preparada para atender uma eventual demanda superior, sinalizando confiança na aceitação do produto.
Para equipes de marketing automotivo, esse dado é relevante na definição de campanhas, estoques e comunicação. A Sprinter automática não deve ser tratada como um nicho, mas como uma evolução natural da linha, alinhada às tendências globais de automação e eficiência.
Público-alvo bem definido
A Mercedes-Benz identifica três perfis principais de clientes para a Sprinter automática. O primeiro é o de usuários de motorhomes, que geralmente migram de automóveis e priorizam conforto e facilidade de condução em longas viagens. Nesse segmento, o câmbio automático é visto quase como um item obrigatório.
O segundo grupo é formado por empresas de e-commerce e logística urbana, que utilizam o veículo de forma intensiva em rotas com muitas paradas. Para esse público, a transmissão automática melhora a agilidade nas entregas e contribui para a padronização da operação, especialmente em frotas com motoristas de diferentes níveis de experiência.
Por fim, a marca aposta nos grandes frotistas, que valorizam previsibilidade de custos, menor índice de avarias e maior eficiência operacional. A automação da transmissão reduz erros de condução e pode impactar positivamente indicadores como consumo, manutenção e disponibilidade da frota.
Produção na Argentina e papel estratégico do Brasil
A produção da Sprinter automática exigiu ajustes na fábrica localizada na região metropolitana de Buenos Aires, operada pela Prestige Auto, empresa licenciada para a produção da linha. Segundo Daniel Herrero, presidente da companhia, foi necessário adaptar processos e veículos internos de transporte de componentes para viabilizar a nova configuração.
A planta argentina opera em dois turnos e produziu cerca de 16 mil unidades em 2025, superando a expectativa inicial de 14 mil vans após a entrada da Prestige como representante, em junho daquele ano. Historicamente, o Brasil é o principal mercado dessa operação, o que reforça a importância estratégica do lançamento para ambos os países.
Mercado de vans em expansão
Embora não divulgue projeções específicas de vendas para a Sprinter automática, a Mercedes-Benz demonstra otimismo em relação ao segmento. Ronald Koning, CEO da Mercedes-Benz Cars & Vans Brasil, destaca que o mercado de vans cresce de forma consistente e pode alcançar 41,6 mil unidades em 2026.
Nesse contexto, a chegada da Sprinter automática amplia a competitividade da marca frente a novos entrantes e reforça sua liderança em um segmento cada vez mais disputado. Para concessionárias e profissionais do setor, trata-se de um produto-chave para atrair novos clientes, fidelizar frotistas e elevar o ticket médio das vendas, consolidando a Sprinter como referência em tecnologia, robustez e eficiência no mercado brasileiro.





