Um em cada seis veículos zero km emplacados em 2026 é eletrificado, e 35% são feitos no Brasil

Um em cada seis veículos zero km emplacados em 2026 é eletrificado, e 35% são feitos no Brasil

O mercado automotivo brasileiro iniciou 2026 consolidando uma virada estrutural: 16,8% de todos os veículos zero quilômetro emplacados no país são eletrificados. Em termos práticos, isso significa que um em cada seis carros vendidos no Brasil já conta com algum nível de eletrificação. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que aponta ainda que 35% desses modelos são híbridos produzidos localmente.

Para gestores de concessionárias, vendedores e profissionais de marketing automotivo, esse cenário representa mais do que um marco estatístico: trata-se de uma mudança no perfil da demanda, na abordagem comercial e na estratégia de posicionamento das marcas.

Eletrificação: da tendência ao padrão de mercado

O crescimento da participação dos eletrificados — com predominância dos híbridos — reforça o papel da produção nacional na transição tecnológica. Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, os modelos produzidos no Brasil têm crescido em ritmo superior aos importados, evidenciando maior competitividade da indústria local.

Para as concessionárias, esse dado é estratégico. O avanço da produção nacional tende a:

  • Reduzir exposição cambial e oscilações de preço;
  • Diminuir prazos de entrega;
  • Ampliar disponibilidade de peças e suporte técnico;
  • Facilitar campanhas de marketing com foco em “tecnologia nacional”.

Além disso, o consumidor brasileiro demonstra maior confiança quando associa inovação a produção local — fator relevante em um momento em que ainda há dúvidas sobre durabilidade de baterias, valor de revenda e custo de manutenção.

Programa Carro Sustentável: impacto direto no showroom

Outro vetor importante para o aumento das vendas foi o programa Carro Sustentável. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram comercializadas 282 mil unidades habilitadas, contra 230 mil no mesmo período anterior — um crescimento de 22,8%.

O dado mais relevante para as redes é o desempenho por canal:

  • Vendas via concessionárias: +63,1%
  • Vendas diretas: +13,1%

Isso evidencia o protagonismo do varejo tradicional na conversão do benefício fiscal em negócios concretos. O incentivo governamental, somado ao trabalho comercial no ponto de venda, potencializou o giro dos modelos de entrada.

A nova tabela tributária parte de uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e 3,9% para comerciais leves, ajustada por critérios como:

  • Eficiência energética;
  • Tecnologia de propulsão;
  • Potência;
  • Nível de segurança;
  • Índice de reciclabilidade.

Modelos com melhor desempenho nesses indicadores recebem descontos, enquanto os com piores avaliações sofrem acréscimos. A estimativa do governo é que cerca de 60% dos veículos comercializados no país tenham redução de alíquota, considerando o volume de vendas de 2024.

Para o marketing automotivo, isso abre espaço para uma comunicação mais técnica e orientada a valor agregado — destacando eficiência, sustentabilidade e segurança como argumentos centrais.

Modelos de entrada: volume e rentabilidade

A lista de veículos habilitados inclui modelos como Renault Kwid (Renault), Fiat Mobi e Fiat Argo (Fiat), Hyundai HB20 e HB20S (Hyundai), Volkswagen Polo, Saveiro, T-Cross e Nivus (Volkswagen), além de Chevrolet Onix e Onix Plus (Chevrolet).

O crescimento de 22,8% nas vendas desses modelos demonstra que o consumidor segue altamente sensível a preço, mas também responsivo a estímulos fiscais e argumentos de economia de longo prazo.

Para gestores, isso exige atenção a três frentes:

  1. Gestão de estoque inteligente
    A combinação entre eletrificados e modelos de entrada cria um mix mais complexo. É fundamental equilibrar volume, ticket médio e margem.
  2. Treinamento da equipe comercial
    O vendedor precisa dominar conceitos como eficiência energética, regeneração de energia, diferenças entre híbrido leve, pleno e plug-in, além de saber traduzir benefícios fiscais em economia real para o cliente.
  3. Estratégia de financiamento
    A entrada de eletrificados amplia oportunidades para planos com parcelas equivalentes ao custo mensal de combustível, argumento poderoso no fechamento.

Oportunidades para o marketing automotivo

O avanço da eletrificação altera o discurso publicitário. Se antes o foco era apenas preço e design, agora entram em cena:

  • Economia total de propriedade (TCO);
  • Sustentabilidade e ESG;
  • Incentivos fiscais;
  • Tecnologia embarcada.

Campanhas digitais podem explorar simuladores comparativos entre versões combustão e híbridas, calculando economia em cinco anos. No showroom, materiais educativos reduzem objeções e encurtam o ciclo de decisão.

Além disso, há oportunidade clara de posicionamento regional. Concessionárias que se apresentarem como “especialistas em eletrificação” tendem a capturar demanda crescente e fidelizar clientes de maior valor.

Transição tecnológica e competitividade

O fato de 35% dos eletrificados vendidos serem produzidos no Brasil indica amadurecimento industrial e cria um ambiente mais sustentável para o crescimento da categoria.

Para as redes, isso significa menor risco de ruptura logística e maior previsibilidade comercial. Para as montadoras, consolida a estratégia de nacionalização como ferramenta de competitividade frente aos importados.

O movimento também sinaliza que 2026 pode ser um ano de consolidação da eletrificação como segmento relevante — não mais nicho.

Conclusão: adaptação é vantagem competitiva

O dado de que um em cada seis veículos vendidos no Brasil já é eletrificado não é apenas um recorde histórico; é um indicativo claro de transformação estrutural.

Concessionárias que:

  • Estruturarem estoques alinhados ao novo mix;
  • Investirem em capacitação técnica;
  • Adaptarem sua comunicação para valor e tecnologia;
  • Aproveitarem os incentivos do Carro Sustentável;

estarão melhor posicionadas para capturar crescimento em um mercado cada vez mais orientado à eficiência e sustentabilidade.

A eletrificação deixou de ser promessa. Tornou-se realidade comercial — e, para o varejo automotivo, uma oportunidade estratégica que pode definir o desempenho das redes ao longo de 2026 e nos próximos anos.

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